OS DIREITOS DO FUMADOR
Na última edição do semanário «Expresso», num artigo que intitula «Os Direitos do Fumador», Daniel Oliveira revolta-se contra a mais recentes políticas anti-tabágicas que ganham terreno por esse mundo fora. E conclui:«Começa a ser altura de os fumadores exigirem alguns direitos. Os mais básicos de todos: o direito ao respeito pela sua liberdade, pela sua saúde, pela sua carteira e pela sua inteligência».
Depois, Daniel Oliveira propõe com alguma graça aquilo a que chama uma «Carta dos Direitos Fundamentais do Fumador» onde exige «espaços arejados e confortáveis para fumar», onde pede «respeito pelas dependências dos cidadãos», que o tabaco baixe para um preço «justo» e se revolta contra a «linguagem alarmista, moralista e ofensiva» de quem alerta para os riscos do tabaco.
E logo em primeiro lugar proclama:«Fumar é um direito. A saúde é um bem individual e a forma como cada cidadão a trata apenas a si próprio diz respeito».
Mas o Daniel Oliveira está redondamente enganado: fumar não é um direito! Nem a saúde é um bem individual, nem a forma como cada cidadão trata de si lhe diz respeito exclusivo!
Parece é que o Daniel Oliveira quer tudo: quer um lugar arejado para fumar em liberdade, quer tabaco baratinho, quer respeito pela sua dependência e no fim... ainda quer que eu lhe pague a operação para lhe extirpar um pulmão minado pelo cancro!
É que a forma como cada cidadão trata da sua saúde nunca lhe dirá respeito exclusivo, enquanto a conta do Hospital for paga pelos impostos dos outros cidadãos. E não será a saúde de cada um de nós também um pouco pertença dos nossos familiares e amigos e, muito principalmente, dos nossos filhos?
Fumar não será também uma escolha em que cada um deles é diariamente preterido?
Mas o Daniel Oliveira não quer saber disso: quer é que não o chateiem com mensagens «moralistas e ofensivas», enquanto na mesa ao lado do restaurante me atira fumo para cima enquanto eu estou a comer, ou quando se borrifa para a saúde dos colegas de trabalho no “open space”.
Porque o Daniel Oliveira tem as suas prioridades bem definidas e não quer que lhas baralhem com pequenas minudências. O que quer é ir em paz num carro fechado com os filhos, a entupi-los com fumo durante um engarrafamento interminável, sem ter alguém a chagar-lhe os ouvidos sobre aquilo que está a fazer às crianças.
No seu texto Daniel Oliveira indigna-se profundamente quando um fumador é comparado àquilo a que ele próprio chama «um qualquer alarve sem educação».
Mas quando leio o medo da morte nos olhos de um amigo que fumou desabridamente durante 30 anos e que agora está a fazer quimioterapia, não posso deixar de perguntar:
- E o que é um fumador senão precisamente isso: um alarve sem educação?
O original encontra-se no blogue Random precision.
Depois, Daniel Oliveira propõe com alguma graça aquilo a que chama uma «Carta dos Direitos Fundamentais do Fumador» onde exige «espaços arejados e confortáveis para fumar», onde pede «respeito pelas dependências dos cidadãos», que o tabaco baixe para um preço «justo» e se revolta contra a «linguagem alarmista, moralista e ofensiva» de quem alerta para os riscos do tabaco.
E logo em primeiro lugar proclama:«Fumar é um direito. A saúde é um bem individual e a forma como cada cidadão a trata apenas a si próprio diz respeito».
Mas o Daniel Oliveira está redondamente enganado: fumar não é um direito! Nem a saúde é um bem individual, nem a forma como cada cidadão trata de si lhe diz respeito exclusivo!
Parece é que o Daniel Oliveira quer tudo: quer um lugar arejado para fumar em liberdade, quer tabaco baratinho, quer respeito pela sua dependência e no fim... ainda quer que eu lhe pague a operação para lhe extirpar um pulmão minado pelo cancro!
É que a forma como cada cidadão trata da sua saúde nunca lhe dirá respeito exclusivo, enquanto a conta do Hospital for paga pelos impostos dos outros cidadãos. E não será a saúde de cada um de nós também um pouco pertença dos nossos familiares e amigos e, muito principalmente, dos nossos filhos?
Fumar não será também uma escolha em que cada um deles é diariamente preterido?
Mas o Daniel Oliveira não quer saber disso: quer é que não o chateiem com mensagens «moralistas e ofensivas», enquanto na mesa ao lado do restaurante me atira fumo para cima enquanto eu estou a comer, ou quando se borrifa para a saúde dos colegas de trabalho no “open space”.
Porque o Daniel Oliveira tem as suas prioridades bem definidas e não quer que lhas baralhem com pequenas minudências. O que quer é ir em paz num carro fechado com os filhos, a entupi-los com fumo durante um engarrafamento interminável, sem ter alguém a chagar-lhe os ouvidos sobre aquilo que está a fazer às crianças.
No seu texto Daniel Oliveira indigna-se profundamente quando um fumador é comparado àquilo a que ele próprio chama «um qualquer alarve sem educação».
Mas quando leio o medo da morte nos olhos de um amigo que fumou desabridamente durante 30 anos e que agora está a fazer quimioterapia, não posso deixar de perguntar:
- E o que é um fumador senão precisamente isso: um alarve sem educação?
O original encontra-se no blogue Random precision.



5 Comments:
Não é você quem vai pagar a operação ao Daniel de Oliveira, Zurugoa. Ele já a pagou, centenas de vezes, com os 90% de impostos que paga por cada um dos seus cigarros.Em Portugal temos salas de chuto e metadona para os heroinómanos, transplantes e clínicas de recuperação para alcoólicos, mas não se gasta UM TOSTÃO numa porcaria de consulta para quem quer deixar de fumar. E ainda há quem ache abusivo que o Estado pague a operação de quem tem um cancro de pulmão!!! O tabaco é uma doença:meta isso na cabeça!!!
Pedro T.
Eu concordo com a carta dos direitos dos fumadores, desde que: - fumem ao ar livre ou na sua própria casa, não poluam tudo quanto é local com beatas, e sobretudo, se inscrevam numa clínica privada para fazerem todo e qualquer tratamento que tenha causa no seu "direito" de fumar...
SOU FUMADOR INCORRIGÍVEL (3/4 Maços/dia). Mas sou contra o tabaco...
Estou preocupado com FUNDAMENTALISMOS e RADICALISMOS.
Lembro-me do escrito na História na década de 1930- "Mein Kemft" de Adolfo Hitler. Naquela altura os Judeus eram o mal da sociedade. Actualmente para os radicalistas e fundamentalistas ditos Islâmicos o "MAL" vem do Ocidente.
PORTUGUESES:
Oxalá que não obriguem os fumadores a andar com etiqueta na lapela (como os judeus) e que na porta de sua casa não coloquem um símbolo qualquer.
Olhem a DEMOCRACIA e a LIBERDADE deste país!
Naturalmente que os não fumadores têm o direito ao seu espaço livre de fumo. Mas fumadores são cerca de 2,5 milhões.
PENSEM A SÉRIO NESTA QUESTÃO! ESTA LEI PODERÁ INDICIAR ALGO MUITO PIOR (até para os não fumadores)!
o problema é que os fumadores poluem o ar que é de todos, inclusive dos "idiotas" que decidem não fumar.
Já que me falta ao respeito, com a última afirmação do seu patético texto, por eu ser fumador, começo por lhe responder na mesma moeda, mandando-o desde já para o car*lho.
Em segundo lugar, gostava de saber o porquê de toda esta ignorância que os anti-tabaco aparentam todos ter e que os faz tapar os olhos a tudo o resto que se passa à sua volta, despejando tudo em cima dos fumadores. Por esse tipo de atitude só me dá a mim vontade é de despejar também na sua cara uma boa baforada de fumo do meu cigarro marlboro rico em nicotina e alcatrão.
Com este parágrafo acima refiro-me concretamente ao seguinte, respondendo às questões levantadas no seu texto:
Quanto custa ao Estado (aos cidadãos com os seus impostos) um homem que se alimenta à base de gorduras, fritos e fast-food? E os alcoólicos? Os que poluem o ar ao utilizarem o automóvel por tudo e por nada? Se calhar você até se enquadra numa destas situações, já pensou bem?
Despeço-me, infelizmente, com um sentimento de inimizade, que seria perfeitamente evitável se os anti-tabagistas não tivessem o ódio que têm aos fumadores, tal como eu não tenho por quem não fuma.
Enviar um comentário
<< Home